Hodari lança som despretensioso, mas que tem tudo para ser hit

Confira entrevista “Teu Popô” é o som de estreia do músico e apesar de soar óbvio, passa longe disso

O primeiro domingo de fevereiro foi de muita chuva em Vix. Bloquinhos cancelados, dia frio e arrastado, quem não ficou no sofá assistindo Domingão do Faustão ou Fantástico, com certeza pegou muita chuva. Eu, que já estou acostumada a sempre ficar em casa, estava nele, zapeando sons aleatórios no YouTube e preparando a minha playlist de proletariado para a segunda (andar de Transcol e sem uma musiquinha é uma missão impossível, mores. Anotem essa dica).

Foi assim que me deparei com o som do Hodari, “Teu Popô”. A capa me chamou muita atenção, afinal, parecia vir de um jogo de videogame anos 90. Assumo que julguei pelo nome e já estava esperando mais um daqueles traps que falam de bunda, mulher e maconha (nada contra, que fique claro, foi só o fato de o mercado estar quase que saturado disso ultimamente). Pensei em não clicar. Para ver mulher sendo objetificada eu ligo a TV. Mas cliquei e me deparei com o hit do carnaval 2018, pelo menos para mim. Eu nunca fiquei tão feliz em ter pagado com a língua em toda a minha vida. A guitarrinha misturada ao grave e ao mesmo tempo com uma batida de funk estilo Sango (me corrijam se estiver errada e ouçam Sango, vai mudar suas vidas e a forma de sarrar também) eram muito boas para ser verdade.

A letra, em tom divertido, fala de despedidas e de um casal que deveria dar certo, mas não tem rolado. Depois de indicar a música para geral e fechar o bloquinho do “unidos que vão sarrar chorando pelo @” (aliás, alô alô @ do meu Brasil, vamos parar de gracinha e beijar essas boquinhas lindas que ouvem Holdari pensando em vocês), eu fui conhecer mais sobre Holdari e Dropamina, quem assina a produção do som, e o resultado foi essa entrevistinha aí, confiram:

Como surgiu a composição de “Teu popô”?

Um desabafo pra eu mesmo, em um violão de 3 cordas. Tenho o costume de conversar comigo mesmo quando eu tô tocando. Não sei muito sobre teoria musical, mais sou muito sensível a notas e melodias! Toco pra curar meu corpo, mente e alma e assim que a musica nasceu.

 Como funciona o seu processo criativo?

Meu processo criativo é a vida, sou muito musical! Não existe hora pra eu compor, as composições vêm até mim, mas eu tento ilustrar momentos da minha vida, minhas vivências amorosas, ou vivências amorosas de outras pessoas! Busco sempre falar de forma simples e atual.

De que maneira o Dropamina surgiu no processo de produção do som? Como funcionou a escolha dele para tal?

Somos cancerianos, seguimos nosso coração! A seleção de música é feita sempre pelo coração.

Quando decidiu que era hora de investir no seu lado musical?
Decidi que era hora de gravar quando muitas pessoas falaram isso pra mim. Sou tatuador e sempre tenho um violão ou guitarra próximo de mim. Toco muito no estúdio aonde eu trabalho, pra curar minha alma e me sentir melhor. Em um certo dia atendi um cliente, muito amigo do DROPAMINA, que escutou minhas músicas (toquei após tatuar) e falou de mim para ele (Dropamina) dia seguinte Josef estava no estúdio de tattoo pra ouvir minhas músicas.

Confiei nele. Nós crescemos juntos tocando na mesma cena de Emocore de bandas (Hodari/guitarrista da SKARTO) Josef (vocal/ banda ELLA) não éramos amigos, mas nos conhecíamos de vista. Enfim. Acabei cofiando nele e começamos a trabalhar as músicas que eu fazia para me autocurar. Tocava elas basicamente só pra mim… Minhas musicas são carregadas de sentimentos.

Você é romântico? Ou é do tipo que só se ferra no amor (risos)?

Eu sou canceriano, o romantismo vem de diversas formas. Gosto muito de cuidar, dar atenção e fazer a pessoa crescer. Sobre me ferrar no amor: acho que não. O amor é algo único… Um sentimento muito grandioso. Já me apaixonei várias vezes, mas só tive um amor e sou muito grato por isso. Mudou minha vida. Levo esse amor marcado no meu peito (minha tattoo preferida).

Se surpreendeu de alguma forma com a galera considerando a sua música um hit?

Sim. Fiquei muito surpreso e absurdamente feliz e esse sentimento só aumenta. Estou respondendo pessoalmente todo mundo que posta a música em suas rede sociais. Pra quem começou  a música em um violão de três cordas, dentro de um quarto, virar essa grandiosidade é lindo! Josef e eu conseguimos fechar com um lindo refrão que fizemos no estúdio, daí virou esse hit. Muito divertido isso.

Pode adiantar alguma coisa futura dessa parceria entre você e o Dropamina?

Faço muitas músicas. Mostro sempre algo novo para a gente trabalhar. Josef também produz bastante e sempre vem com alguma proposta legal para trabalharmos. Esse ano temos muitas surpresas, só queremos falar de amor, plantar os sentimentos e realidade de vidas amorosas. Vocês vão gostar do que está por vir!

O que o público pode esperar de você em 2018?

Muito AMOR e SENTIMENTOS em forma de música.

Dropamina também entrou na jogada e nos respondeu algumas perguntas sobre o som e a carreira. Confira:

Como você e o Hodari se conheceram e quando começaram a trampar juntos?

Eu e Hodari já convivíamos no mesmo rolê aqui em Brasília, mas a gente costumava se encontrar em festas, nada muito próximo. Acontece que um amigo em comum, o Fernando (hoje, fotógrafo da nossa equipe), ouviu as composições do Hodari e me ligou, dizendo que eu precisava ouvir também, que era preciso lançar essas músicas numa roupagem bem produzida. No dia seguinte da ligação eu colei no estúdio onde o Hodari tatuava na época, ele pegou uma guitarra e um amplificador e tocou as músicas pra eu ouvir. De imediato eu fiz a proposta de entrarmos de cabeça num trabalho artístico sério e focado e ele topou. “Teu Popô” é o primeiro degrau dessa escada que a gente já vem construindo há uns meses dentro do estúdio.

Ele já tinha chegado para você com uma ideia de instrumental. Como foi trabalhar dessa maneira?

O Hodari tem muita intimidade com alguns instrumentos, entre eles a guitarra. Ele chegou com a letra incompleta e aquela levada de guitarra do início da música. Eu propus que esse som crescesse, começasse simples mas em algum momento se tornasse gigante, de uma maneira que ninguém pudesse imaginar. Nós focamos essa proposta pro refrão, pelo fato de o verso ser muito marcante (“teu popô não é mais meu…”, a gente já sabia que a galera ia pirar nisso) e ficar com um clima mais safado sem batida, só na guitarrinha. Eu lembro que o refrão foi composto dentro do estúdio mesmo, na maior vibe. Nosso estúdio tem um clima muito bom, talvez por isso esteja saindo tanta coisa boa de lá.

A música já pode ser considerada um sucesso, afinal tem mais de 20k em pouco tempo de lançamento. Esperava todo esse sucesso? 

Eu, como produtor e amigo, sou apaixonado pelo trampo do Hodari. Acho incrível. E depois que nós vimos, de fato, o resultado da união das nossas duas maneiras de criar música, eu acho que 30K (já pegou 30, haha!) é até pouco. Falo isso porque a gente é ousado mesmo, a gente busca musicalidade sem barreira e acho que o Brasil precisa de artistas assim chutando a porta do mainstream e querendo mostrar uma nova cara pro som nacional. Porém, eu não me preocupo com isso, não. Sendo honesto, eu achava que essa música ia travar em 5K e quando as outras viessem rolaria um “boom”. Nosso foco é trabalhar. Decidimos que 2018 seria só de plantio.

Falando em esperar, o que os fãs podem esperar para o futuro dos seus trampos?

Muita coisa. Eu venho me preparando desde os 15, 16. Só agora, com 25, eu me sinto em condições de colaborar de fato com a carreira musical de um artista. O Hodari é o primeiro artista com quem me uni sério e do zero pra mostrar o potencial de tudo isso que vim armazenando. Fora isso, eu agora também estou produzindo o Menestrel. O novo EP dele, que eu produzi, sai dia 14 de fevereiro.

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Barbara Nascimento
Se Ludmilla é a danada e Anitta a malandra, a estabanada sou eu. Jornalista recém-formada, não é flor que se cheire, apaixonada pelo mar, mas sem a menor vocação para sereia, consumidora frenética de música, que lê até para-choque de caminhão e fotografa tudo aquilo que acha interessante. Adora meter o bedelho e dar opiniões sobre tudo (mesmo que nem sempre tenha a razão), inclusive rap. Não ter modos e nem paciência é o meu maior charme.

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