Depois de 13 Anos da morte do Maestro do Canão está disponível o CD póstumo do Sabotage, álbum lindo e salvamos o destaque para as Músicas: Canão foi tão Bom, Levada Segura e Respeito é Lei.

Demorou mais de 10 anos pra “Sabotage”, o disco inédito do Maestro do Canão, ficar pronto. Essas músicas viraram lenda. Mas chegou a hora de descobrir todas, na íntegra. As 11 faixas de “Sabotage” já estão no Spotify. Ouça grátis: http://bit.ly/2elW6yo

Quando o Sabotage morreu, em 2003, ele tinha começado a gravar o segundo disco, o sucessor do clássico “Rap é Compromisso”, de 2001. Só teve tempo de completar três faixas. As outras oito músicas que compõem “Sabotage” foram reunidas e finalizadas ao longo de mais de 10 anos pela família, pelos amigos e pelos maiores parceiros musicais do cara. Ele deixou muita coisa gravada, incluindo freestyles monstros que soam tão atuais hoje quanto 13 anos atrás. O clima do álbum é de celebração. Celebração da vida, do talento, da obra e da história dele.

“Catou papel pra viver / Na moral, foi difícil / Depois que o homem inventou o revólver / Todos corremos perigo”, Sabotage manda na faixa de abertura, “Mosquito”, que tem backing vocals dos filhos, Sabotinha e Tamires, e foi produzida pelo Tropkillaz (o DJ Zegon, do Tropkillaz, foi um dos produtores de “Rap é Compromisso” e um dos caras que ajudaram a tornar o disco realidade).

Na produção e nas participações das músicas inéditas, só tem gente próxima, que conhecia ou já tinha trabalhado com ele. Tudo em família.

“Maloca é Maré” tem o Funk Buia, do Z’África Brasil, e o RAPPIN HOOD, um dos manos mais próximos do Sabotage. Eles se conheceram no Clube da Cidade, na Barra Funda, num dos “clubes do rap” que rolavam lá todas as quartas, no fim dos anos 80.

“Aê, você é Zona Sul? Eu sou Zona Sul também”, disse Maurinho, lembra o Hood. Os dois ficaram amigos na hora. Naquela noite, já pegaram o metrô e foram embora juntos pra Sul.

“Eu insisto, persisto, não mando recado / Eu tenho algo a dizer, não vou ficar calado”, Sabotage mandava em “Na Zona Sul”, faixa #6 de “Rap é Compromisso”. E é claro que tem várias referências à Zona Sul de São Paulo, onde ele nasceu e cresceu, no disco inédito.

“Brooklin, o que será de ti? / Regar a paz eu vim / Jesus já foi assim”, canta em “Canão Foi Tão Bom”, que tem os manos DBS Gordão Chefe, Lakers e Pá e harmonias da Negra Li.

“Nas noites fria, na fogueira / Assalto era o meu tema / Pra quem nasceu na Sul, sofrimento é evidência”, revela em “País da Fome: Homens Animais”, continuação de “País da Fome”, faixa #10 de “Rap é Compromisso”. Em cima da base do DJ CIA, ele lembra as histórias dos amigos de infância que perdeu pro crime e pra violência. (Essa música é a preferida dos filhos entre as inéditas.)

Em “Respeito é Lei”, Sabotage celebra as comunidades da Zona Sul e canta de verdade, num esquema voz e violão.

“Levada Segura” (“Aí, ladrão / Sou eu quem manda o som / Do Brooklin Sul até a Vergueiro / O enxame voltou”) tem o Mr. Bomba, do Sp Funk, e o Fernandinho Beat Box. Em “Sai da Frente”  (“Me disseram: ‘O sol nasce pra todos’ / Pra quem será que dizem, mano? / Para nós, pros pobres, ou pro simples tolo?”), a parceria é total com o trio Rica Amabis e Tejo Damasceno, do Instituto, e Daniel Ganjaman, que juntos assinam a direção musical do álbum.

“Superar”, produzida pelo DJ Nuts, tem participação do Shyheim, um dos caras associados ao Wu-Tang Clan, coletivo de rap americano que o Sabota adorava ouvir. (Descubra as maiores influências dele, incluindo o WTC, nessa playlist exclusiva, com músicas selecionadas pela família: http://bit.ly/2dH5HP1.)

“Vim de lá do Brooklin Sul, tio / Vim de lá / Superar é só pra superstar”, diz.

O BNegão aparece em “O Gatilho”, que tem harmonias da Céu, mandando um recado para o parceiro: “Cumpade, sinto saudade reais das novidades / Das risadas / Das ideias avançadas / Que fizeram a cabeça de tanta gente ao longo desses anos / E continuam por aí / Pairando no ar / Inspirando quem segue / Quem inicia a saga / De começar a rimar”.

SANDRÃO RZO repete a parceria de família na inédita “Míssil”, que tem um dos manifestos mais atemporais do disco: “Sou Sabotage / Ou bem ou mal, meu rap age / Assim me vi cantar, representar / Falando um monte / Brigar pra quê / Se agora é minha vez? / É, ouça-me”.

13 anos depois da morte dele, a gente continua ouvindo. “Quem Viver Verá”, que ganhou versos do DEXTER RAP, foi gravada apenas um dia antes do Sabotage morrer. Mas o recado dela é bem claro: o rap sempre continua.

“Quem viver, verá / Rap é o som / Pode chegar / Favela é um bom lugar”.

> Descubra o álbum inédito do Sabotage no Spotify: http://bit.ly/2elW6yo

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Alex Emissario
Alexsandre Silva dos Santos é Alex Emissário, Rapper e compositor e colaborador do site Rap Nacional Music.