08 de março, Dia Internacional da Mulher.  Dia de relembrar e reafirmar as conquistas das mulheres ao longo da história, a luta por igualdade de direitos e respeito. Luta ainda presente, dia após dia, e que de forma alguma deve ser esquecida. No rap não poderia ser diferente, e nós mulheres, estamos muito bem representadas no cenário musical “preferencialmente” masculino.

A primeira edição das “6 mulheres do rap que você precisa conhecer” foi um sucesso. Divas como Karol Conka e Drika Barbosa gostaram tanto da matéria que compartilharam a publicação pro mundo todo ver que tem mulher no rap sim senhô.

Segura essa, a segunda edição que só tem peso pesadíssimo.

Lurdez da Luz

Se tem uma mulher que através da música busca destacar as mulheres e coloca machista pra correr, essa é Lurdez da Luz. A mamãe paulistana, grávida de seu segundo filho, iniciou sua carreira no rap no final dos anos 90 e já trabalhou com rappers como Black Alien, Naná Vasconcelos, Thaíde, Afrika Bambaataa, entre outros. Apesar de não ser de nenhum movimento específico, Lurdez da Luz se identifica muito com o movimento negro e feminista e não gosta de ver as mulheres sendo exibidas como “produto” em videoclipes.

Seu último trabalho deixou isso bem claro, “Naija”, uma gíria para nigeriano reflete as batalhas dos imigrantes africanos no Brasil e também aborda temas como racismo e machismo. Escuta esse som:

MC Stefanie

Sou mega suspeita em falar. A voz da Stefani no grupo “Simples” é singular. Impossível passar despercebida.

A Paulista, natural de Santo André, Stefanie Roberta, foi influenciada pela militância política de grandes grupos de rap nos anos 90, iniciando sua trajetória em 97. Participou de grupos como o “Simples” (que eu já disse que adoro,rs) e “Pau-de-dá-em-doido”. Abriu shows de caras como Dela Soul (peso pesaaaado) e Talib Kweli.

Em 2014 participou do Estúdio Livre, no projeto Divas do Hip Hop, cantando “Mulher MC”, um papo muito reto pras mulheres do rap nacional nesse Dia Internacional da Mulher. Atualmente Stefanie está trabalhando na finalização de seu primeiro álbum.

Amanda Negrasim

Mais uma paulista pra lista. Natural de Cotia, Amanda Negrasim foi criada em uma família que sempre valorizou a cultura negra, que refletiu positivamente em toda a sua percepção de música, literatura, poesia e costumes regionais. A vivência com o Hip Hop começou por meio de matérias que Amanda escrevia para o jornal local de sua cidade, logo, a musicalidade se tornar presente em sua vida.

O trabalho como repórter rendeu convites para participar do grupo de rap OFL – Os foras da Lei. Foi uma questão de tempo para Amanda formar o próprio grupo Impacto Feminino e de lá pra cá vem trabalhando em parceria com muitos artistas.

Amanda está ligada a várias causas e movimentos, como o Movimento Negro e a Mulher Negra Pobre e Periférica. Atualmente desenvolve o projeto “Feminina Periferia, um Pedaço da África”, juntamente com o coletivo “Herdeiras de Aqualtune”.

A’s Trinca

O grupo da Zona Leste, da Cidade de Tiradentes, A’s Trinca, já tem um nome pra lá de curioso. Nay Lopes, Kel Filelis, Nina Juh e DJ X-Ray formaram o grupo no ano de 2012, iniciando sua trajetória. Em suas letras, A’s Trinca, (A’S) Ato Sonoro e (Trinca) inspiração no jogo de cartas (TRINCA DE A’S), gostam de abordar temas como a valorização da mulher, defendendo o conceito de que não precisamos expor nossos corpos para crescer profissionalmente ou pessoalmente, assim como, a valorização do seu local de origem.

Em 2013 lançaram a primeira EP intitulada “Trinca de A’S”. Dividiram os palcos com grandes personagens do Rap Nacional como Kamau, SNJ, Rapadura, Nocivo Shamon, Afrika Bambaataa, dentre outros.  Já no ano de 2015 lançaram a música se identifica pela produtora RAPBOX, som que não pode passar despercebido.

Tassia Reis

Natural de Jacareí, Tassia Reis, com sua voz inconfundível vem ganhando espaço no cenário musical desde 2011. Esteve presente em grades participações com cantores como Marcelo D2, A.X.L (particularmente, gosto muito), Rashid, entre outros. Em 2013 colocou na rua seu trabalho solo e lançou seu primeiro videoclipe com a música “Meu RapJazz” que só deu mais visibilidade ao seu talento.

Atualmente Tassia Reis faz parte da “Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop”, que visa empoderar as mulheres dentro desse segmento cultural. Ontem, tive a oportunidade de assistir o show dessa mulher incrível, no Reconecta, em Vitória-ES. Simpatia, presença de palco e uns passinhos descolados preenchem a performance da cantora que já ta com trampo novo na rua.

Odisseia das Flores

O grupo Odisseia das Flores tem lutado pela valorização das mulheres desde 2008. Formado por Jô Maloupas, Chai e Letícia, o grupo possui originalidade e protesto como postura principal. Em 2010 conheceram o DJ Dog, deixando o trabalho mais dinâmico, além da back vocal Vanice Deise, que atua no grupo desde 2014.

Atualmente o grupo Odisseia das Flores participa e realiza trabalhos sociais voltados para a comunidade e periferia de São Paulo. A produtora RAPBOX também gravou música com grupo. Deem uma conferida.

 

O parabéns hoje é nosso mulherada! Feliz Dia Internacional da Mulher (do Rap também)

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Hadassa Nunes
Colaboradora do Rap Nacional Music Design de Interiores, estudante de Jornalismo, amadora de fotografia, leitora quase assídua, apaixonada por Black Musica e Rap "mimimi".